Certificação sozinha não faz milagre | EA Banking School

Professor, gerente geral e CFP®, Roberto Cazzetta é o autor deste artigo que traz diversos insights sobre como o profissional do mercado de trabalho financeiro precisa estar atento para se desenvolver e evoluir na carreira.

Um dos conceitos básicos de Recursos Humanos é a teoria do CHA, desenvolvida a partir de estudos de David McClelland, psicólogo e professor de Harvard, que atribui a cada atividade profissional um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para uma boa performance na execução do trabalho. Portanto, um dos exercícios permanentes que um bom profissional financeiro deve praticar é o de estar sempre se questionando quais são as competências que deve desenvolver para evoluir em sua carreira.

Enquanto gestor bancário e professor e, portanto, responsável por desenvolver pessoas, procuro sempre analisar a evolução do mercado e entender o que os clientes e as empresas estão demandando do profissional. O setor financeiro evolui rapidamente e os clientes vêm adquirindo cada vez mais conhecimento sobre os produtos financeiros, os quais também têm evoluído tanto em quantidade de alternativas como em características diferentes. Com os produtos de investimento não é diferente. Com a recente redução da Taxa Selic e a tendência em permanecer em níveis relativamente baixos (ao menos até a próxima turbulência política) cresceu a demanda por produtos de maior rentabilidade e atrelados a diferentes ativos financeiros.

Logo, não se discute a importância de estar sempre atualizado e ir em busca das certificações financeiras, que funcionam como uma comprovação do conhecimento do profissional, agregando autoridade ao mesmo. Entretanto, já tive a oportunidade de conversar com diversos profissionais experientes do mercado financeiro e todos são unânimes em dizer que a certificação é apenas um pré-requisito, uma boa porta de entrada para atuar em posições específicas em um banco, cooperativa, corretora, gestoras e outros, mas que para se desenvolver na carreira é fundamental adquirir habilidades e atitudes específicas e exigidas pelo mercado.

Mas, então, quais são as habilidades e atitudes que um bom profissional financeiro deve desenvolver?

Obviamente, essa resposta varia conforme a posição e o cargo que o profissional ocupa ou pretende ocupar, mas de modo geral é possível traçar um perfil desejado pelas empresas do setor financeiro, ou até mesmo para quem atua de forma autônoma. Para simplificar, trago aqui as 3 habilidades e atitudes que acredito serem fundamentais a serem desenvolvidas por qualquer profissional que pretende ter sucesso na carreira.

Habilidades

Saber se comunicar de forma empática

Quando iniciamos na carreira financeira, geralmente achamos que devemos falar difícil e de forma técnica para impressionar colegas, chefes e clientes. Na verdade, o bom comunicador sabe transformar uma informação complexa e traduzi-la para o seu interlocutor de forma simples e que ele possa compreender, respeitando o seu perfil socioeconômico (idade, escolaridade, linguagem e etc.).

Saber coletar, analisar e sintetizar informações

Os produtos financeiros são bastante diversificados e existem diversas soluções disponíveis aos clientes. Portanto, para fazer uma recomendação adequada, é preciso ser bom em coletar dados e informações (entrevista, cadastro, etc.) analisa-los e interpreta-los corretamente adequando ao perfil do cliente e, por fim, gerar um output, sintetizando as informações em forma de recomendações (orais ou escritas) que sejam de fácil entendimento e tenham aplicabilidade.

Saber negociar

Como em qualquer negócio, mesmo que você seja autônomo, existem diversos interesses envolvidos na relação cliente-profissional. Há o interesse do profissional em recomendar aquilo que ele entende ser o melhor para o cliente, que busca a melhor solução com o menor custo. Nesse processo, é natural que existam conflitos e que devem ser resolvidos para o negócio ir adiante. Um bom negociador nada mais é do que um bom solucionador de conflitos, que sabe apresentar informações e argumentar em prol daquilo que é a melhor solução para todas partes. Não importa qual sua função e sua atividade, você sempre precisará negociar algo.

Ser muito proativo

Se você atua como autônomo, isso já é bastante óbvio, mas para quem trabalha para uma empresa é importante saber que umas das atitudes mais buscadas em profissionais do mercado financeiro é a proatividade. Pra resumir essa atitude, imagine que você chegou na empresa e foi lhe dado somente um notebook, um telefone, um sistema, alguns contatos internos, uma carteira de clientes (ou de potenciais clientes) e 3 metas bem específicas. Sem absolutamente nenhuma outra explicação, ajuda, treinamento ou apoio, o quão capaz você seria de entregar o resultado esperado?

Ser extremamente ético

No que tange à ética, o mercado financeiro possui três características que, infelizmente, incentivam as pessoas a terem comportamentos questionáveis: a alta competitividade entre os pares, a remuneração variável agressiva e o grande desconhecimento dos clientes sobre finanças. Esses três fatores combinados podem funcionar como um combustível para o mau comportamento profissional. Portanto, carregue consigo sempre uma mentalidade de retidão, de fazer o certo, da forma certa, mesmo que enxergue outros profissionais passando na sua frente na carreira e agindo de forma antiética. Eu acredito que, no médio e longo prazo, os bons profissionais sempre chegarão mais longe e serão bons exemplos para os demais.

Ser emocionalmente resiliente

Quem trabalha no mercado financeiro lida diariamente com as finanças, com o dinheiro das pessoas e esse fator por si só já leva a um maior estresse, pois existe muita energia envolvida quando o assunto é o comportamento financeiro das pessoas. Além disso, os fatores mencionados no item anterior, a alta competição e a busca pelas remunerações variáveis, acabam gerando uma pressão adicional, seja interna ou externa. Não vou detalhar muito esse item, pois o meu próximo artigo será justamente sobre este assunto.

Essas são as habilidades e atitudes que, de forma geral, entendo que todos os profissionais que atuam no mercado financeiro devem ter. Conhecimento, claro, é fundamental e deve estar sempre evoluindo e sendo comprovado através principalmente das Certificações Financeiras. Em especial, gostaria de destacar a certificação CFP®, não por que a tenho, se não por ser a mais completa hoje para quem atua diretamente com clientes, uma vez que atesta o conhecimento não só da parte de gestão de ativos e investimentos, mas também de áreas como aposentadoria, gestão financeira, seguros, fiscal e sucessão. Lembrando que certificação sozinha não faz milagre, devendo sempre estar bem acompanhada do conjunto certo de habilidades e atitudes que completam o perfil de um bom profissional financeiro.

E aí?

Agora que o professor Roberto Cazzetta especificou como você deve se desenvolver dentro do mercado de trabalho financeiro, este preparado para tomar a decisão que pode transformar a sua carreira? Se a sua resposta é sim, a EA Banking School está pronta para ajudar a conquistar suas metas.

Porque não importa o quão grande seja o seu sonho, nós faremos você conquistá-lo.

 
Conheça o professor Roberto Cazzetta

Cazzetta é graduado em Administração pela UFRGS, com MBA em Gestão Comercial pela FGV e Especialização em Finanças, Investimentos e Banking pela PUCRS. Tem as certificações CPA-20, da ANBIMA, e CFP® (Certified Financial Planner), emitida pela FPSB. É profissional da área há mais de 10 anos, entre experiências como bancário e professor para certificações financeiras.

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